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A verdadeira pandemia: desigualdade social

Atualizado: Mai 16



O vírus Covid-19 se propagou por países de todo globo terrestre e por isso essa condição foi considerada uma pandemia pela OMS (Organização Mundial de Saúde). No entanto, a crise gerada parece não envolver apenas a área da saúde. Muitos fatores indicam que parte da solução da pandemia está, primordialmente, na diminuição da desigualdade social. O médico Drauzio Varella, inclusive, em uma entrevista à BBC diz que com a pandemia o “Brasil vai pagar o preço da desigualdade”. Enquanto tiver uma pessoa no mundo com o vírus todos correm perigo.


Essa palavra “desigualdade” é usada há anos e acaba passando como mais um conceito, porém é importante entender a magnitude e impacto do tema na prática. Um estudo recente, mostrado através de uma forma visual inovadora pela plataforma GitHubde tem escandalizado milhares pessoas. Essa escala demonstra cruelmente que se fosse utilizado 3% da renda das 400 pessoas mais ricas dos Estados Unidos poder-se-ia testar toda população do país ou seria possível erradicar a Malária do mundo, se utiliza-se 5,7% dessa renda seria possível erradicar a pobreza dos EUA inteiro. E para se impressionar ainda mais, com 8% dessa riqueza seria possível abastecer de água limpa e proporcionar o descarte de resíduos para toda população mundial.


De acordo com outro estudo realizado pela Oxfam, uma confederação de 19 organizações com sede em Nairóbi, constatou-se que 1% da população é bilionária, cerca de 2.153 pessoas. Esse 1% possui mais dinheiro do que cerca de 60% da população mundial juntas. O relatório dessa pesquisa mostrou um dado escandalizador: os 22 homens mais ricos do mundo têm mais riqueza do que todas as mulheres do gigante continente da África. E se esse grupo pagasse apenas 0,5% de imposto extra sobre a sua riqueza durante uma década, poderia se criar 117 milhões de novos empregos, extinguindo quase 70% do desemprego atual no mundo inteiro.


No Brasil, segundo a ONU, a população mais rica, também, representa 1% dos brasileiros e concentra 28,3% da renda total do país. Essa porcentagem de concentração faz com que o Brasil fique no vergonhoso patamar do segundo país com maior desigualdade de renda, perdendo apenas para o Catar onde o 1% mais rico concentra 29% da renda.


Com esse nível chocante de desigualdade, fica muito claro perceber que o corona vírus pode até não discriminar as pessoas que serão contaminadas, no entanto, é bem provável que não atinja todos de forma igualitária. Nos EUA já se registram mais morte de negros e latinos (incluindo, nós, brasileiros), por exemplo. No Brasil tudo indica que as comunidades com menos saneamento básico e com maiores aglomerações sofrerão em maior proporção com as contaminações, além de vermos os trabalhadores mais vulneráveis à crise, onde quem pode fazer home office se trona privilegiado. Escancaram-se diferenças, também, no acesso à educação e à saúde.


Toda grande catástrofe tende a intensificar o processo de desigualdade social, pois o tempo de resposta de quem possui bons recursos (dinheiro, fácil deslocamento, contatos, acesso a saúde...) é muito menor do que aqueles possuem menos recursos. E assim a distância de quem tem mais e quem tem menos se intensifica. Um caso sem precedentes foi de Jeff Bezos, dono da Amazon, na atual data, encontra-se não só entre os 400 mais ricos dos EUA, como é considerado o homem mais rico do mundo, sendo que com a pandemia sua fortuna aumentou 30%, foram 25 bilhões de dólares em 3 meses, esse montante nesse espaço de tempo nunca havia sido registrado.


Assim, fica infelizmente, cada vez mais óbvio o que o balanço do Banco Mundial demonstra:

“A crise vai ter impacto desproporcional nos pobres, através da perda de emprego, alta nos preços e disrupções severas na educação e sistema de saúde”. O banco prevê que de 40 a 60 milhões de pessoas passem a viver em condições de extrema pobreza – o equivalente a ter menos de US$ 1,90 por dia para viver.

Para HAJA isso significa intensificação do nosso trabalho. Antes dessa crise nosso principal objetivo já era trabalhar com famílias em situação de extrema pobreza, sempre partindo do cuidado com a criança e de sua família.


Logo, nossa experiência nos faz preparar para lidar com o aumento da evasão escolar, do trabalho infantil, aumento da violência e da intensificação da falta de acesso a saúde. As crianças e adolescentes que vivem em Jardim Gramacho não têm recursos para assistir aula a distância. Inclusive estamos buscando professores para nos apoiarem com material e conteúdo enquanto as aulas presenciais não voltam. Percebemos que precisaremos de estratégias mais intensas para conseguirmos nosso objetivo de aumentar a resiliência das famílias e das as crianças.


O terceiro setor, de onde a HAJA faz parte, foi o que se mobilizou de forma mais rápida e efetiva para atender necessidades básicas de muitas pessoas. E emergências são assim, pedem rapidez e ações estratégicas.


Não podemos falar o mesmo das entidades públicas, por anos vemos o quanto o sistema público não está preparado e nem se preparando para lidar com situações emergenciais, as quais tendem a se intensificar. O que não nos deixa felizes, gostaríamos de contar com isso e incentivamos a união social, a organização de representantes comunitários e outras mobilizações que cobrem das autoridades que simplesmente façam o seu papel, governem para todos e não para 1% da população.


Mas enquanto isso continuaremos agindo em prol do aumento da igualdade, contando com você, com nossas amizades, com doações de empresas, com quem quiser se unir a nós. Porque cada vez mais percebemos que riqueza tem significado ter acesso à justiça, acesso à educação, à saúde, à saneamento básico. E a metodologia da HAJA tem se mostrado eficiente e respeitosa com a vida humana.


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