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Educação emancipatória: um saber integrado à vida



No fim de abril, dia 28, comemora-se o Dia da Educação. A data foi criada durante o Fórum Mundial da Educação realizado em Senegal no ano 2000, quando líderes de 164 países, incluindo o Brasil, estiveram presentes no evento e assinaram o documento chamado Marco de ação de Dakar: educação para todos. O documento busca o compromisso de expandir, melhorar e assegurar a educação de crianças e jovens dos países envolvidos. Por isso, a reflexão e análise sobre educar ganha destaque esse mês.


Percebe-se que mesmo a educação sendo um direito “garantido” à criança e ao adolescente pelo ECA (Estatuto da Criança e Adolescente), conforme o Artigo 53, seu acesso está cada vez mais comprometido devido aos desafios advindos da pandemia, especialmente, em territórios que sofrem negligência das políticas públicas como no caso da comunidade de Quatro Rodas em Jardim Gramacho.


Deste modo, ao pensar nestes novos desafios e na importância do acesso ao ensino, a HAJA vem investindo muito no Projeto de Educação para as crianças e jovens da comunidade. Atualmente temos 110 matriculados, uma expansão considerável desde seu início.


Mas é importante ressaltar que nosso projeto educacional não visa substituir o ensino formal da rede pública, e sim complementar para aumentar as chances do educando conseguir ingressar e permanecer até o fim dos seus anos escolares. Tendo em vista que a grande maioria das escolas buscam seguir um modelo tradicional de ensino, onde o foco é a passagem de conhecimento e informação.


Assim, seu modelo acaba afastando muitos alunos, um vez, que não adequam seu conteúdo às necessidades do contexto desses. Tais práticas acabam sendo mais prejudiciais aos estudantes que vivem em realidades de grande desigualdade sociais:


“A escola dentro da visão tradicional de currículo é vista separada da vida do educando. O saber escolar é um saber desintegrado, que ignora os conhecimentos, as experiências dos sujeitos, num flagrante desprezo pelos alunos de origens sociais desprivilegiadas”(Santos e Moreira).

Logo, a partir de uma longa experiência ao lidar com crianças e jovens de lugares que sofrem bastante com a desigualdade e descaso público, a HAJA entendeu que educar vai muito além da passagem de um saber desconexo da vida real.


Por isso, o Projeto de Educação visa um ensino integrado ao contexto, em que o saber do educando não só é considerado, como é valorizado. Para a HAJA a educação faz parte de um processo continuo de potencialização do próprio vir a ser do estudante:


"A educação é muito mais que um adestramento. A consciência da existência faz com que a educação seja permanente. É inerente à existência humana a prática educativa, porque as pessoas são seres abertos, que vivem em uma vida social complexa e dinâmica". (Paulo Freire)

Logo, a HAJA busca se aproximar cada vez mais de uma educação emancipatória, ou seja, uma educação que prima pelo ensinamento do pensar crítico, do pensar autônomo, do pensar artesanal, em que a cultura, as relações, o social em que se vive faz parte do currículo:


"A existência humana depende, para constituir-se como tal, de uma educação emancipadora. A educação adquire o significado não somente de transmitir habilidades e competências, mas de instruir para o exercício da cidadania, mais ainda, de formar a própria natureza humana "(Tiago Ambrosini).

Logo, é importante considerar toda a vivência dos envolvidos e incluir estas ao currículo do projeto:


"Por que não discutir com os alunos a realidade concreta a que se deva associar a disciplina cujo conteúdo se ensina, a realidade agressiva em que a violência é a constante e a convivência das pessoas é muito maior com a morte do que com a vida? Por que não estabelecer uma “intimidade” entre os saberes curriculares fundamentais aos alunos e a experiência social que eles têm como indivíduos? Por que não discutir as implicações políticas e ideológicas de um tal descaso dos dominantes pelas áreas pobres da cidade? A ética de classe embutida neste des- caso?". (Paulo Freire)

Portanto, valorizamos o poder revolucionário da arte de educar para a cidadania através do respeito e do afeto. Levando em conta: a formação para o acesso ao trabalho, o conhecimento e respeito dos direitos humanos, da consciência ambiental e social. Venha com a gente e nos ajude nessa missão de educar para liberdade.




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