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Fran: a representatividade que semeia sonhos



Quando uma jovem descobriu que poderia sonhar, ela se viu maior. Maior do que disseram para ela que poderia ser. Ela decidiu ditar seu tamanho e não aceitar nenhum outro rótulo. hoje contamos a história da Franciane, a Fran, que se passa em Jardim Gramacho, um bairro de Duque e Caxia-RJ conhecido pelo estado do Rio de Janeiro por sua desigualdade social, que costuma ser visto apenas em sua pobreza.


Diante dos grandes estigmas criados e reforçados diariamente por quem deseja explorar o lugar, nascer em Jardim Gramacho é se ver muito pequeno, como diz Fran. É batalhar muito para ter pouco retorno devido à realidade dura do lugar. A cultura acaba remetendo ao não conseguir, ao ser comum não se alfabetizar, não prosperar, não ter acesso aos seus direitos.


Mas Fran não aceitou o que foi colocado para ela. Filha do meio, dentre seus 6 irmãos, ela Fran graduou-se e junto da sua irmã mais velha, que também se formou, uniu forças ajudando a irmã mais nova a se dedicar apenas aos estudos. Isso fez com que a irmã conquistasse a entrada em uma faculdade pública, uma realização de toda família. E Fran, não parou por aí, ela continua seus estudos e, atualmente, faz duas pós-graduações sendo uma delas em neuro psicopedagogia.


Diante desse histórico de esforços e conquistas Fran foi convidada para um novo desafio, participar do projeto da HAJA em Jardim Gramacho, seu bairro, agora como pedagoga na comunidade de Quatro Rodas com o ensino informal de crianças e adolescentes. Fran se destacou na seleção tanto para os selecionadores adultos quanto diante das crianças do projeto, as quais a escolheram como professora.


Desde então o projeto tem vivido muitas descobertas e já percebe inúmeras evoluções. Dentre elas uma bem emocionante, perceber que os jovens da comunidade

de Quatro Rodas começaram a sonhar. Sonhar pela primeira vez em fazer uma faculdade. Fran já planeja simulados para prepará-los para o ENEM. Uma verdadeira revolução se pensarmos que a comunidade de Quatro Rodas tem, hoje, apenas duas pessoas que chegaram a terminar o ensino médio.


Outra conquista muito significativa e que Fran conta com emoção é de como as crianças começaram a chamar as outras pelos nomes e não mais pelos apelidos. Ser chamado pelo nome que possui indica respeito a individualidade, a possibilidade de se verem como alguém que merece e tem o direito de ser. De ser respeitado e de ser visto não pelo suas limitações ou pelo ambiente em que vive e nem pelas dificuldades que enfrentam, mas pelo que fazem e podem fazer, pelo potencial que nasceram e suas possibilidades de desenvolvimento. Como Fran diz, o ensino informal permite que se enxergue como conquista algo que passaria despercebido aos olhos do ensino formal nas escolas e que na realidade significam muito.


Hoje, Fran sabe na prática que se um dia alguém disse a ela que só poderia chegar até um determinado limite, ela faz questão de ir muito mais longe. Durante todos esses anos morando em Jardim Gramacho ela percebe que quem vem de fora tem dificuldades de enxergar as pessoas por trás do que é visto. Ela sabe que o bairro precisa de muitas coisas, é claro, mas precisa muito mais de respeito a quem vive ali. Precisa que as pessoas entendam que ninguém está ali por preguiça, por acomodar, porque querer viver de assistência. Está ali porque é uma realidade que demanda uma força muito grande somente para sobreviver, já que o descaso é histórico e falta muito. Mas sobrevivem, produzem, interagem e criam ali, e se fazem tudo isso é porque possuem muito mais forças e potenciais do quem está fora imaginaria poder possuir.


Para nossa sorte Fran agora faz parte do quadro da HAJA. Diferentemente da escola formal em que os professores não estão envolvidos na realidade da criança, na HAJA a Fran sabe da família, do contexto, dos problemas. Sabe de onde vem a agressividades, o apoio, o incentivo ou a falta dele e daí pode adaptar o conteúdo para cada criança e adolescente. Sabe inclusive do quanto os alunos valorizam a arte e produzem vida a partir dela. Das coisas que ela mais admira está o fato dos colegas se ajudarem, ninguém ri do outro por não saber ler ou escrever, ou ter uma dificuldade outra. Eles se ajudam e pedem ajuda.


A alfabetização, a educação por direitos e acessos são ferramentas para que as novas gerações não dependam de organizações não governamentais. Nos 30 anos que Fran mora em Jardim Gramacho, ela diz que a HAJA é diferenciada, pois se preocupa em dar ferramentas, em apoiar o desenvolvimento de longo prazo através da educação. Uma educação que vai além de um currículo formal e desconexo com as necessidades dos alunos, mas que forme pessoas com sonhos e ferramentas para torná-los realidade.


Fran nunca acreditou que poderia fazer diferença onde nasceu, justamente, porque a cultura

dali não facilita o florescer da autoestima, mas na HAJA ela é a prova viva de que é possível sim. Ela é de fato uma grande inspiração e já está causando positivas mudanças através do seu trabalho e por ser quem é. Alguém que, também, nasceu em Jardim Gramacho batalhou muito e se reconhece com valor, mesmo diante das dificuldades. Hoje ela ocupa um lugar importante no coração e na mente de quem participa da HAJA e sua representatividade planta sementes de novas possibilidades em Quatro Rodas.


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