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Saúde mental e esperança: entenda essa relação imprescindível



O primeiro mês do ano tem sido dedicado às questões de saúde mental desde 2014 com a campanha Janeiro Branco. A mobilização tem como objetivo chamar a população para a importância de se cuidar da saúde da mente. E apesar do mês está no fim, é importante lembrar que o cuidado com a saúde mental deve permanecer o ano inteiro.


O nome da campanha remete à expressão “folha em branco” e junto do início do ano, a campanha faz um chamado ao sentido de renovação: “Porque, no primeiro mês do ano, em termos simbólicos e culturais, as pessoas estão mais propensas a pensarem em suas vidas, em suas relações sociais, em suas condições de existência, em suas emoções e em seus sentidos existenciais. E, como em uma “folha ou em uma tela em branco”, todas as pessoas podem ser inspiradas a escreverem ou a reescreverem as suas próprias histórias de vida”(Janeiro Branco).

Esse convite da campanha vem de encontro, não por coincidência, ao combate de um dos maiores desafios da saúde mental: o lidar e tratar a desesperança. A desesperança é um tipo de cognição – pensamento - em que a pessoa tende a não ter perspectiva de futuro. Ela tende a acreditar que seu estado atual não mudará e ela continuará em sofrimento, mas é justamente o não acreditar que a leva a imobilidade e esta intensifica os problemas. A desesperança fica no núcleo central de vários transtornos relacionados à saúde mental, desde a depressão leve e a ansiedade até quadros mais intensos que levam ao desespero, à violência e à autolesão.


Como o próprio nome nos permite pensar, a gente combate a desesperança com a esperança. Todo processo ou projeto bem sucedido tem como base a esperança. Ou seja, o pensamento de que há perspectiva de um futuro melhor e eu sou capaz de influenciar o presente para ajudar nessa construção. Assim, para que esse pensamento esperançoso traga saúde mental ele precisa estar conectado a ação e não a uma crença sem movimento.


Responsável por vários projetos que resultaram em mudanças sociais significativas, o mundialmente renomado educador Paulo Freire em seu livro Pedagogia da Esperança fala justamente da importância dessa esperança engajada e ativa:


(...)a desesperança nos imobiliza e nos faz sucumbir no fatalismo em que não é possível juntar as forças indispensáveis ao embate recriador do mundo. Não sou esperançoso por pura teimosia, mas por imperativo existencial. (...) Não quero dizer, porém, que, porque esperançoso, atribuo à minha esperança o poder de transformar a realidade e, assim convencido, parto para o embate sem levar em consideração os dados concretos, materiais, afirmando que minha esperança basta. Minha esperança é necessária, mas não é suficiente. Ela, só, não ganha a luta, mas sem ela a luta fraqueja e titubeia. Precisamos da esperança crítica, como o peixe necessita da água despoluída. (...) a esperança precisa da prática para tornar-se concretude histórica. É por isso que não há esperança na pura espera, nem tampouco se alcança o que se espera na espera pura, que vira, assim, espera vã (Paulo Freire - Pedagogia da Esperança).

Paulo Freire vai falar da necessidade de se educar na esperança, ou seja, vai dizer da necessidade de se apreder e de se ensinar instrumentos e novos dispositivos de saúde e educação que nos ajudem a não se calar diante das injustiças e nem sucumbir diante desse sofrimento. A partir disso, tem-se a necessidade de se unir forças e buscar inovações até recriar novas possibilidades que possam levar a novas soluções, o que ele vai chamar de “inédito viável”. Sendo todo esse processo um ato interno e coletivo que se constroem junto durante as ações.


A HAJA nasce desse movimento de acreditar que através do agir é possível gerar mudança, como o nosso próprio nome nos convida. Nos últimos anos e meses temos trabalhado de forma intensa, justamente para que haja a possibilidade de esperança e amparo às comunidades onde atendemos. Ensinar esperança começa com o respeito aos direitos básicos. Muitas vezes trabalhar com saúde mental é poder oferecer pelo menos uma refeição digna por dia.


Trabalhamos com o intuito de gerar esperança no curto prazo através do atendimento às necessidades mais básicas das famílias levando alimentação, água, produtos de higiene e atendimento à saúde. Também no médio prazo com os projetos de marcenaria, reciclagem e jardinagem que proporcionam renda e uma profissão. E de longo prazo com a educação de crianças e jovens, pois são neles que se materializam as perspectivas de um futuro mais digno para novas gerações. Promover educação é promover acesso a um direito, é permitir novas possibilidades e assim se constroem esperança e com ela mais saúde. Assim:


“A esperança nasce do coração mesmo da pedagogia que tem o oprimido como sujeito. Pois ela implica uma denúncia das injustiças sociais e das opressões que se perpetuam ao longo da história. E ao mesmo tempo anuncia a capacidade humana de desfatalizar esta situação perversa e construir um futuro eticamente mais justo, politicamente mais democrático, esteticamente mais irradiante e espiritualmente mais humanizador” (Leonardo Boff – prefácio Pedagogia da Esperança).

Precisamos de você e de toda ajuda possível para continuarmos acendendo a esperança e possibilitando saúde nas famílias que mais precisam. Os desafios têm crescido e com eles novas necessidades. Una-se a gente e convide família e amigos para serem agentes de esperança no mundo! É possível sim fazer a diferença: HAJA!

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